
Eu já tinha me apaixonado pelo Wall-E desde que Renato Félix me chamou para ver um clipzinho de divulgação do filme, lançado alguns meses antes dele chegar aos cinemas. Sei lá por que. Mas o encontro com este amigo virtual – aquele que você já conhece muito bem, mas não encontrou pessoalmente ainda – não poderia ter sido melhor: só botou ainda mais lenha na fogueira da minha paixão. E depois daquela noite de sexta-feira, quando sai da sala do cinema, eu já estava quase pronta para casar com o robozinho.
Pois então: além de uma linguagem muito simples, que faz a gente nem sentir o longo tempo do filme em que não há um diálogo falado sequer, com Wall-E convivendo apenas com uma baratinha. E mesmo o cenário horripilante – um mundo, literalmente, coberto de lixo – ganha um pouco de poesia com a atitude positiva do rapazinho. Ele não pára de trabalhar para cumprir sua missão: limpa, limpa e limpa, do amanhecer ao pôr do sol. E nos dá uma lição do que é necessário fazer para tentar salvar este planeta.
Mas Wall-E não é apenas lindinho ou ambientalista. É também uma boa lição sobre aonde o consumo desenfreado, as relações meramente virtuais e a mecanização total do mundo podem nos levar, sem esquecer do que pode acontecer se a gente simplesmente achar que a responsabilidade não é nossa. E, no final das contas, a obra é a melhor mistura entre um bom filme de entretenimento com um excelente instrumento para discutir estas questões com qualquer tipo de público – crianças, jovens, empresários, educadores...
E como não dá para querer casar com Wall-E – até porque eu já tenho um futuro marido muito bem escolhido – o que me resta é tentar aprender com ele a ser um bom cidadão. E limpar pelo menos a sujeira que eu mesma faço. Vale conferir.
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