It´s like rain on your wedding day

Então foi assim: fomos assistir ao show de Alanis Morissette no Chevrolet Hall, na última sexta-feira, dia 30, em Recife, a bordo de uma excursão recheada de gente com as mais variadas expectativas para a noite. E o que segue aqui não é um texto jornalístico, mas um relato apaixonado de quem chorou ao ouvir a voz da canadense cantar mansinho e quase a capela “but you, you´re not allowed, you´re uninvited...”. Por isso, considerem os devidos descontos.

 

A noite começou cedo, saindo às 18h de João Pessoa, chegando às 20h em Recife e esperando até que Alanis subisse ao palco às 23h30. Neste meio tempo, a ansiedade, euforia e excitação deram lugar a um cansaço sem tamanho, uma vontade de dormir deitada no chão mesmo e um quase pedido para ir embora. Ah, também teve a “alegria” de tomar banho de chuva antes de entrar, de comprar ingresso inteiro quando não estavam pedindo a carteira de estudante de quem comprou meia, de constatar que os preços no bar eram estratosféricos e que não havia comida decente que abastecesse nossos estômagos durante a espera. Ok: batata frita e orloff ice para passar o tempo. E que longo tempo...

 

Mas foi o choro quase contido ao ouvir Uninvited que lavou o cansaço, me transportou no tempo e me fez esquecer o que havia acontecido nas quatro horas anteriores ao show. Alanis provocou aquela mesma reação enérgica e quase colérica que eu experimentava ao ouvir You Oughta Know quando era apenas uma adolescente de 16 anos. E, feito um bando de loucas, eu, Giselle e Juliana (sem elas, teria sido apenas metade!) entramos no coro do Chevrolet Hall lotado quando a gaita anunciou All I Really Want – sob os olhos compreensivos de futuro-marido, que se não desistiu de mim naquela noite, não desistirá nunca mais.

 

O resto é história. Alanis envelheceu, está com visual e rosto mais maduros. Mas não perdeu a energia do começo da carreira e continua pulando no palco como nos tempos das camisas surradas e do cabelo desgrenhado. É uma mulher nova com a boa e velha essência rock n´roll. E para mim bastava.

O show mistura bem composições de seus vários discos, mas quem é fã de Jagged Little Pill não voltou para casa decepcionado: todos os clássicos estavam lá – e mais alguns. Graças à dedicação de Michel, que pesquisou o som da moça para curtir melhor o show ao meu lado, acabei reconhecendo algumas músicas novas e fui apresentada a outras.

 

O resultado é o show mais lindo que já vi na vida – e podem dizer que esta opinião é carregada demais de paixão porque é mesmo. Até as partes chatas são bonitas. A iluminação provoca alucinações – pra que gastar dinheiro com química? – e o som estava bom para estes ouvidos leigos. E até mesmo o público recheado de tiazinhas como eu e minhas amigas, tiozões de cabelos brancos, patricinhas, casais homo e emos a torto e à direita parece ter se transformado numa coisa só. Lindo demais!

 

Desejei que o amigo Cananéa tivesse estado lá para ouvir sua opinião. Mas, ah!, independente disso, foi uma noite para entrar na história: por ter-me carregado no tempo, por ter-me permitido realizar um desejo que nunca ousei fazer, por ter sido melhor do que todas as expectativas...

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