Fora do padrão

É a sensação de que não estamos falando a mesma língua:

 

Situação 1

Eu, sete ou oito meses atrás: “Moça, quero um vestido de noiva beeem leve”.

Atendente padrão de loja de aluguel de vestidos, com sorriso de quem vai atender a t-o-d-o-s os seus desejos: “Ah, temos um aqui bem leve, só precisa usar uma saia de armação.”

Eu, com cara de “não estou sendo clara”: “Não moça, a senhora não entendeu: eu quero um vestido leve (agora fazendo cara de “leve do contrário de pesado”), meio esvoaçante, se possível”.

Atendente com cara de “agora entendi”: “Ah, sim, temos um aqui, veja só...” (volta com vestido esvoaçante e preso ao chão por uns dois quilos de pedrarias).

Eu, com cara de “desisto”, agradeço e vou embora.

 

Situação 2

Proprietário de loja e aluguel de vestidos, diante da mesma pergunta, com ar soberbo: “Não existe vestido assim. Noiva não é assim. Noiva é glamourosa e glamour exige vestido pesado e muita pedraria.”

Eu, com cara de “desisto”, apenas dou as costas e vou embora.

 

Situação 3

Proprietária de salão de beleza, ao olhar meus curtos e cacheados cabelos, com a certeza de ter a solução para todos os meus problemas: “Ah, a gente boa um mega hair e seu cabelo fica lindo!”

Eu, com cara de “como-assim?!?”: “Não, querida, meu cabelo É curto, É cacheado e é ASSIM que ele vai estar no casamento. Ou você não quer que meus convidados me reconheçam?” (já quase perdendo a paciência)

Cabeleireira, com cara de pena de mim: “É... é mesmo uma questão de gosto...”

Eu, com cara de que “só não vou embora porque estou aqui profissionalmente”, fico – mas não volto mais.

 

Situação 4

Eu, quase satisfeita por ter achado alguém que quase entendeu o que eu queria: “E sua maquiagem aguenta choro?”

Proprietária de salão de beleza, com ar de professora de etiqueta: “Mas vai chorar por que se é festa? Ah, chorar é muito brega...”

Eu, já calejada e com paciência zero: “Ah, amiga, pois eu sou um cafuçú e não vou deixar de me emocionar só porque alguém acha que é brega. (sempre com um sorriso de simpatia) No meu casamento eu posso tudo – até ser brega se eu quiser.” (só faltou o “tou pagaaaando!”)

 

Situação 5

Conhecida certa de que vai ser convidada: “Ah, mas tu vai mandar fazer bem casado, não vai?

Eu, com cara de “quem és tu, criatura?”: “Não, não vou. Pense num negócio caro!”

Conhecida, ainda crente de que estava na lista: “Mas casamento sem bem-casado não tem a menor graça.”

Eu, já calejada e com paciência zero: “Pois é melhor você nem perder seu tempo...”

P.S. Claro que acabei não resistindo e encomendando alguns bem-casados, mas a gatinha continua fora da lista.

 

Conclusão: se você não está afim de fazer parte do padrão estabelecido pelo mercado, prepare-se para enfrentar uma tourada!

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