Discurso pra lá de atrasado

"O amor da gente é feito o Livro dos Prazeres, de Clarice Lispector, que começa no meio de uma frase. Não tem um começo muito nítido, um marco inicial e nem se sabia amor naquele tempo. O fato é que o tempo passou e só depois de cinco anos pudemos colocar uma placa de inauguração: 25 de novembro de 2005.

 

E nem lá a gente sabe direito como foi. Só sabe que foi assim: EJC de Santana, final de deserto, “vamos dar uma chance pra essa história?”, “vamos!”. E a gente marcou como começo, mesmo só tendo começado de verdade e se tornado público outro tempo depois. Mas pergunta quando...

 

Daí o namoro em algum lugar do tempo, que também não se sabe bem quando, virou noivado. Ninguém pediu ninguém em casamento. Ninguém propôs, mas os dois aceitaram. E quando já era tão óbvio para os dois, compramos as alianças e marcamos de novo o noivado como começo de uma nova parte: 2 de junho de 2007, uma noite de chuva e recheada da alegria dos poucos que testemunharam o brinde com champanhe presenteado pelo dono do restaurante.

 

Mas ninguém parece ter levado aquilo muito a sério, mesmo a gente querendo que a nova marca fosse 25 de outubro de 2008. E, no final das contas, esta seria a data em que se encerraria uma outra parte do meio deste longo caminho: abrimos as portas da casinha de paredes cor de palha, lá no Treze de Maio, no dia em que queríamos estar casando. Conformados com as sábias demoras de Deus, meses antes tínhamos adiado o novo marco. Agora seria 25 de abril de 2009. E faltavam nove meses que, nossa!, passaram correndo até chegar o nosso dia: hoje. E lá vamos nós começar tudo de novo...

 

Aliás, o nosso dia sempre foi esse: hoje. Porque é em cada “hoje” que a vida tem nos dado uma oportunidade de colocar na cabeça de uma vez por todas que, sim, nascemos um para o outro. Mesmo com nossas cabeças duras, com nossas teimosias, com nossas manhas e manias esquisitas, não tem jeito: nascemos um para o outro.

 

E agora? Bom, agora é tempo de render graças ao Deus que nos uniu, ao Deus que tornou possível essa equação quase impensável de dois servos que caminhavam para caminhos opostos, mas que hoje seguem o mesmo rumo. Agradecer por todas as Suas providências que nos fizeram sobreviver a cada problema e por todas as surpresas que colocou nos nossos dias. É tempo de realizar o sonho mais lindo que Deus sonhou...

 

Mas também é tempo de comemorar, de abraçar o máximo de amigos possível para acumular o tantão de amor e alegria que cada um trouxe para esta noite e de comer apenas um pouco de bolo para não irmos ainda mais gordos para as piscinas naturais de Porto de Galinhas. E o que nos resta? Agradecer por você fazer parte desta história, que assim como o Livro dos Prazeres, também não tem final..."

 

P.S. A gente queria ter contado esta história no dia da festa, mas o texto impresso ficou (em duas vias!) esquecido no bolso do paletó do noivo - e a gente só lembrou quando estava arrumando as coisas para sair em lua-de-mel. Para não perder a inspiração... é pra isso que serve um blog!

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