Diplomas para quê?

 

Não deveria ser necessário ter diploma para ser advogado. Aliás, nem diploma, nem carteirinha da OAB, aquela que exige a aprovação em uma prova cada vez mais difícil e que aprova cada vez menos gente. Meu marido conhece bem as leis, estudou tanto para os concursos que fez nestes últimos anos, que é capaz de fazer análise de casos, indicar qual o remédio jurídico para o seu problema e seguir os trâmites que uma ação precisa seguir. Ele é administrador por formação, mas deveria ter o direito de assumir e assinar a própria defesa em processos que, porventura, venha a se envolver. Ou ganhar uma grana extra defendendo os amigos que também têm seus próprios problemas jurídicos.

 

Aliás, para ser juiz também não precisaria ter diploma. Bastaria, além do conhecimento das leis, ter bom senso, como era bem antigamente. Pronto. Pra quê diploma? Os cursos continuariam funcionando, mas o que valeria seria mesmo o conhecimento das leis, acessíveis a qualquer brasileiro.

 

Bom, essa não é a minha opinião, mas deve ser a da advogada do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo (Sertesp), Taís Gasparian, autora da ação que pedia a extinção da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo. A alegação de Taís é de que esta exigência é inconstitucional, já que a Constituição garante a liberdade de expressão e o livre pensamento a todo cidadão.

 

Segundo o G1, para ela, o jornalismo é uma profissão que não depende de qualificação técnica específica. “É uma profissão intelectual ligada ao ramo do conhecimento humano, ligado ao domínio da linguagem, procedimentos vastos do campo de conhecimento humano, como o compromisso com a informação, a curiosidade. A obtenção dessas medidas não ocorre nos bancos de uma faculdade de jornalismo”, afirmou a advogada.

Claro, Taís, assim como o conhecimento das leis brasileiras não é algo que se aprende necessariamente nos bancos da faculdade de Direito – assim como também nem sempre quem sai de lá sabe o que é ética e profissionalismo. Enfim, o argumento da advogada, que deve ter um diploma e ter sido aprovada no exame da Ordem (se não, não estaria brigando contra o diploma dos jornalistas) convenceu o STF. Agora, amigos, não há mais nenhuma obrigação de ter diploma para exercer funções de jornalista.

 

E como acima do STF só tem Deus – que tem muito mais o que fazer no céu e na terra – o que nos resta é contar com o bom senso das empresas de comunicação deste país, para que continuem primando pela qualidade de seus conteúdos e não se enredem nesta conversinha fiada. Ou então, daqui a pouco vamos ver a turminha que ganha concursos de redação no ensino médio de gravador em punho exercendo seu direito de livre expressão e entrevistando autoridades para as matérias dos veículos que abrirão mão desta prerrogativa.

 

Salve-se quem puder!

 

P.S. Mas como tudo tem um lado bom, que se cuidem os medíocres!

Os editais que ninguém lê

Ok, me digam, por que as pessoas não lêem edital?

 

Assim... O mundo está em crise e as oportunidades de emprego não são coisa que se encontra em toda esquina. Em alguns setores, como o público e as ONGs (as sérias, pelo menos), as seleções de pessoal são sempre regidas por regrinhas básicas contidas nos editais. No segundo caso (nas ONGs), os documentos, em geral, não passam de duas laudas, mas contam t-o-d-o-s os detalhes do processo seletivo, geralmente simplificado, inclusive e principalmente sobre os procedimentos para a candidatura.

 

E por que as pessoas não lêem?

 

Elas preferem gastar os minutos/créditos do seu telefone, ligar para a entidade que abriu a vaga e perguntar tudo que já está lá – bastava ter lido! Ou então elas fazem tudo errado – mandam currículo sem formulário de inscrição, mesmo que o edital diga claramente que “currículos sem formulários não serão aceitos”. E isso só para ficar nos exemplos mais simples...

 

Só para explicar: isso pega mal pra burro! Um profissional que se candidata a uma vaga e sequer lê o edital já começa perdendo pontos. E ainda corre o risco de simplesmente perder tempo. Recentemente, uma das entidades onde trabalho selecionava um profissional que precisava ter necessariamente experiência em uma determinada área e o que se viu foi que metade dos candidatos sequer teve contato com o assunto. Não leu o edital e mandou a inscrição assim mesmo. Em outra seleção, as pessoas ligavam reclamando que não acharam o formulário no site, quando o próprio site diz “mande a solicitação do formulário para o e-mail tal”. Convenhamos...

 

Portanto, caros colegas que estão em busca de um lugar ao sol: leiam, leiam, por favor, leiam! Pelo menos o edital ou as informações disponíveis sobre a vaga oferecida (e isso vale para qualquer empresa do mundo). Isso demonstra respeito pela instituição e perspicácia na atuação. Isso aumentará suas chances de ter algum sucesso.

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