A moça, a saia, a faculdade

Eu estava evitando falar neste assunto (por pura falta de palavras para descrever minha perplexidade), mas depois de ler o que o Flávio Gomes escreveu em seu blog, achei que ele quase conseguiu descrever meu sentimento.

 

A MOÇA, A SAIA, A FACULDADE

SÃO PAULO (é o fim) – Fiz faculdade entre 1982 e 1985. Faculdade de riquinho, FAAP. Não havia sinal de movimento estudantil ali. Na verdade, com o fim da ditadura, a eleição de Tancredo e a perspectiva de diretas em 1989, o movimento estudantil se enfraqueceu e, sendo bem sincero, foi sumindo aos poucos. Minha atividade mais próxima da subversão foi vender sanduíches naturais para arrecadar dinheiro para uma festa das Diretas. Leia mais...

Ela não é mesmo uma gracinha? E agora esse biquinho está encarnando nada menos que Coco Chanel.

Risco de morte na Colômbia: pegue um táxi

Na Colômbia (ou pelo menos em Ibagué, capital do Departamento de Tolima) é assim: o trânsito é pior do que a gente vê na novela das oito, os taxistas, em geral, têm no máximo 25 anos e estão no ápice daquele sentimento de onipotência – eles podem tudo! Os veículos que dirigem são pequenos e só cabem dois passageiros no banco de trás. Bagagem, darling? Vai no banco da frente porque a mala não aguenta mais do que uma bolsa de mão. Eles fazem ultrapassagem onde não pode e onde, principalmente, não dá! Conversam uns com os outros no meio do trânsito e tenho a desconfiança de que fazem pegas (pouco) disfarçados. Cada viagem é uma tensão de morte, especialmente se você é mulher, jovem, estrangeira e pega um dos latin lovers saradinhos que têm certeza de que você está achando aquilo uma aventura – alguém avise a eles que meu objetivo é ficar viva, por favor.

 

Os taxistas ainda enfrentam um problema de sustentabilidade: com o litro de gasolina custando o equivalente a mais de R$ 7 (!), a maioria tem mesmo que aderir à tecnologia do gás combustível. Acontece que a oferta é pequena, poucos postos oferecem o produto. Na viagem de volta para o aeroporto encontramos uma fila (que se perdeu no olhar) formada por condutores a espera de abastecimento em um único posto na região de Ibagué, onde havia o bendito. Uma tarde de trabalho perdida em nome de uma economia que, pelo que me lembro, deve ser bem considerável.

 

Nos últimos dias eu até estava me acostumando com aquela loucura, mas voltar para nosso trânsito quase educado foi um alívio e tanto. Aqui, pelo menos, a gente já aprendeu a atravessar a rua e a respeitar as regras mínimas de civilidade no trânsito.

Terra de Pablo Escobar, Farc e Uribe, here we go!

Quem anda por estas bandas do Cabelo Marrom sabe do meu sonho de conhecer Cuba – e que eu queria ir lá ver o outro lado da ilha que atrai milhões de turistas todos os anos, em busca de seu exotismo caliente. Eu queria ir ver e ouvir um povo que vive sob uma ditadura perpetuada por “forças revolucionárias”, tendo acesso a uma educação universal que não liberta e a um sistema de saúde que, apesar de tudo, é referência para o mundo inteiro.

Ainda não consegui tal façanha.

 

Mas eis que agora me deparo com um desafio absolutamente inesperado: Colômbia, um país marcado pela força do tráfico de drogas e pelo que Pablo Escobar conseguiu deixar no imaginário mundial. E que agora está de volta às manchetes depois que seu presidente, Álvaro Uribe, decidiu deixar os americanos instalarem algumas bases militares em seu território, as primeiras no nosso continente. E isso é quase tudo que eu sei sobre o país, além de que (segundo a Veja, é importante destacar!) o mesmo Uribe tem tido grande sucesso nas suas investidas contra o tráfico de drogas na região, empurrando os traficantes para buscarem apoio junto ao maluco do Chavez, presidente da vizinha Venezuela.

 

O que sei mesmo é que no próximo domingo desembarco no Departamento de Tolima, especificamente na cidade de Ibagué, que fica mais ao sul do país, e de onde partirei para as cidades de Rovira, Payandé e San Luis. Só no retorno passo 24 horas em Bogotá antes de passar por São Paulo de volta para casa. Mas afinal, que diabos esta castanha vai fazer na Colômbia?

 

Trabalho, meus amigos, trabalho. Vou em missão pela entidade em que trabalho (Concern Universal) junto com três colegas de entidades parceiras, com o objetivo de conhecer o trabalho da Concern no país de Uribe e Escobar. Vamos saber como vive o povo de lá, como as comunidades enfrentam seus problemas e, principalmente, beber de um pouco de sua metodologia.

 

Passaporte na mão, vacina contra febre amarela no braço, uma mala de roupas e agasalhos para enfrentar o frio paulista e de Bogotá, dicionário espanhol-português a tiracolo e uma ansiedade misturada com a saudade de marido – que já é maior do que eu – here we go! E espero voltar de lá (sim, eu espero voltar!) cheia de coisas para contar neste espaço, já que presente não vai dar pra trazer porque viajo mais quebrada que arroz de terceira, como se diz por aí.

 

Hasta la vista!

Cheiro de chuva

Danado é a gente aprender a identificar o cheiro do vento que traz a chuva na madrugada. E isso não tem nada de poético, mas tudo de instinto de sobrevivência: se não adivinhamos a chuva chegando, acordamos com ela na cara, entrando pela janela. Agora nem preciso abrir os olhos para ver o céu pesado de nuvens carregadas anunciando o aguaréu. Basta sentir o cheiro da chuva chegando – e acordar já correndo para impedir a tragédia fechando a janela do quarto.

 

Oh, vidinha sem poesia essa de adulto, viu!

Diplomas para quê?

 

Não deveria ser necessário ter diploma para ser advogado. Aliás, nem diploma, nem carteirinha da OAB, aquela que exige a aprovação em uma prova cada vez mais difícil e que aprova cada vez menos gente. Meu marido conhece bem as leis, estudou tanto para os concursos que fez nestes últimos anos, que é capaz de fazer análise de casos, indicar qual o remédio jurídico para o seu problema e seguir os trâmites que uma ação precisa seguir. Ele é administrador por formação, mas deveria ter o direito de assumir e assinar a própria defesa em processos que, porventura, venha a se envolver. Ou ganhar uma grana extra defendendo os amigos que também têm seus próprios problemas jurídicos.

 

Aliás, para ser juiz também não precisaria ter diploma. Bastaria, além do conhecimento das leis, ter bom senso, como era bem antigamente. Pronto. Pra quê diploma? Os cursos continuariam funcionando, mas o que valeria seria mesmo o conhecimento das leis, acessíveis a qualquer brasileiro.

 

Bom, essa não é a minha opinião, mas deve ser a da advogada do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo (Sertesp), Taís Gasparian, autora da ação que pedia a extinção da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo. A alegação de Taís é de que esta exigência é inconstitucional, já que a Constituição garante a liberdade de expressão e o livre pensamento a todo cidadão.

 

Segundo o G1, para ela, o jornalismo é uma profissão que não depende de qualificação técnica específica. “É uma profissão intelectual ligada ao ramo do conhecimento humano, ligado ao domínio da linguagem, procedimentos vastos do campo de conhecimento humano, como o compromisso com a informação, a curiosidade. A obtenção dessas medidas não ocorre nos bancos de uma faculdade de jornalismo”, afirmou a advogada.

Claro, Taís, assim como o conhecimento das leis brasileiras não é algo que se aprende necessariamente nos bancos da faculdade de Direito – assim como também nem sempre quem sai de lá sabe o que é ética e profissionalismo. Enfim, o argumento da advogada, que deve ter um diploma e ter sido aprovada no exame da Ordem (se não, não estaria brigando contra o diploma dos jornalistas) convenceu o STF. Agora, amigos, não há mais nenhuma obrigação de ter diploma para exercer funções de jornalista.

 

E como acima do STF só tem Deus – que tem muito mais o que fazer no céu e na terra – o que nos resta é contar com o bom senso das empresas de comunicação deste país, para que continuem primando pela qualidade de seus conteúdos e não se enredem nesta conversinha fiada. Ou então, daqui a pouco vamos ver a turminha que ganha concursos de redação no ensino médio de gravador em punho exercendo seu direito de livre expressão e entrevistando autoridades para as matérias dos veículos que abrirão mão desta prerrogativa.

 

Salve-se quem puder!

 

P.S. Mas como tudo tem um lado bom, que se cuidem os medíocres!

Os editais que ninguém lê

Ok, me digam, por que as pessoas não lêem edital?

 

Assim... O mundo está em crise e as oportunidades de emprego não são coisa que se encontra em toda esquina. Em alguns setores, como o público e as ONGs (as sérias, pelo menos), as seleções de pessoal são sempre regidas por regrinhas básicas contidas nos editais. No segundo caso (nas ONGs), os documentos, em geral, não passam de duas laudas, mas contam t-o-d-o-s os detalhes do processo seletivo, geralmente simplificado, inclusive e principalmente sobre os procedimentos para a candidatura.

 

E por que as pessoas não lêem?

 

Elas preferem gastar os minutos/créditos do seu telefone, ligar para a entidade que abriu a vaga e perguntar tudo que já está lá – bastava ter lido! Ou então elas fazem tudo errado – mandam currículo sem formulário de inscrição, mesmo que o edital diga claramente que “currículos sem formulários não serão aceitos”. E isso só para ficar nos exemplos mais simples...

 

Só para explicar: isso pega mal pra burro! Um profissional que se candidata a uma vaga e sequer lê o edital já começa perdendo pontos. E ainda corre o risco de simplesmente perder tempo. Recentemente, uma das entidades onde trabalho selecionava um profissional que precisava ter necessariamente experiência em uma determinada área e o que se viu foi que metade dos candidatos sequer teve contato com o assunto. Não leu o edital e mandou a inscrição assim mesmo. Em outra seleção, as pessoas ligavam reclamando que não acharam o formulário no site, quando o próprio site diz “mande a solicitação do formulário para o e-mail tal”. Convenhamos...

 

Portanto, caros colegas que estão em busca de um lugar ao sol: leiam, leiam, por favor, leiam! Pelo menos o edital ou as informações disponíveis sobre a vaga oferecida (e isso vale para qualquer empresa do mundo). Isso demonstra respeito pela instituição e perspicácia na atuação. Isso aumentará suas chances de ter algum sucesso.

Lições de vôo

Hoje tive que quebrar o galho dos meus tios e pegar meu primo-afilhado na escola no meio do dia e a fugida do trabalho acabou me rendendo mais que uns bons minutos de conversa com o pequeno Gabriel. Percebi que ainda há muito o que aprender nesta vida – e nada de filosofias aqui, mas apenas questões práticas. Aos 29 anos eu não sei bem ainda quando terei filhos, acabei de casar e me tornar uma dona de casa, só fui meia dúzia de vezes ao supermercado fazer feira (duas delas depois do casório) e quase nunca precisei cozinhar de verdade. Portanto...

 

Sobre filhos:

* É preciso montar uma operação de guerra para garantir que você estará livre e em condições de deixar e pegar seu filho na escola nos horários certos sem deixar o pequeno morrendo de fome ou sozinho;

* Ao chegar na escola, é necessário examinar a criança da cabeça aos pés em busca de sinais de violência;

* Se achar um destes temidos sinais, é preciso perguntar na mesma hora à professora o que houve e conversar com o pequeno para saber se ele apanhou de graça ou tem culpa no cartório (no caso do afilhado, quase sempre é ele quem puxa briga);

* Você vai precisar responder perguntas fofas com respostas contrariadas, como dizer não quando o pequeno pergunta todo doce se você vai ficar com ele ao chegar da escola (“Tu vai subir, vai?”).

 

Sobre a casa:

* É preciso estabelecer rotina para quase tudo, se não você corre o risco de ficar sem pão para comer, com lixo guardado na área de serviço ou com um gato com fome por falta de ração;

* Dias de sol em pleno inverno exigem que se coloque roupa na máquina e se encha todos os espaços possíveis na casa com roupa secando;

 

Sobre o supermercado:

* Fazer uma lista de compras não vai adiantar nada se você não sabe bem quanto gasta de cada coisa em determinado período;

 

Sobre a cozinha:

* O sal é o segredo de tudo, mas pode destruir uma receita (mas se for assim, é melhor que seja pela falta do que pelo excesso!).

Discurso pra lá de atrasado

"O amor da gente é feito o Livro dos Prazeres, de Clarice Lispector, que começa no meio de uma frase. Não tem um começo muito nítido, um marco inicial e nem se sabia amor naquele tempo. O fato é que o tempo passou e só depois de cinco anos pudemos colocar uma placa de inauguração: 25 de novembro de 2005.

 

E nem lá a gente sabe direito como foi. Só sabe que foi assim: EJC de Santana, final de deserto, “vamos dar uma chance pra essa história?”, “vamos!”. E a gente marcou como começo, mesmo só tendo começado de verdade e se tornado público outro tempo depois. Mas pergunta quando...

 

Daí o namoro em algum lugar do tempo, que também não se sabe bem quando, virou noivado. Ninguém pediu ninguém em casamento. Ninguém propôs, mas os dois aceitaram. E quando já era tão óbvio para os dois, compramos as alianças e marcamos de novo o noivado como começo de uma nova parte: 2 de junho de 2007, uma noite de chuva e recheada da alegria dos poucos que testemunharam o brinde com champanhe presenteado pelo dono do restaurante.

 

Mas ninguém parece ter levado aquilo muito a sério, mesmo a gente querendo que a nova marca fosse 25 de outubro de 2008. E, no final das contas, esta seria a data em que se encerraria uma outra parte do meio deste longo caminho: abrimos as portas da casinha de paredes cor de palha, lá no Treze de Maio, no dia em que queríamos estar casando. Conformados com as sábias demoras de Deus, meses antes tínhamos adiado o novo marco. Agora seria 25 de abril de 2009. E faltavam nove meses que, nossa!, passaram correndo até chegar o nosso dia: hoje. E lá vamos nós começar tudo de novo...

 

Aliás, o nosso dia sempre foi esse: hoje. Porque é em cada “hoje” que a vida tem nos dado uma oportunidade de colocar na cabeça de uma vez por todas que, sim, nascemos um para o outro. Mesmo com nossas cabeças duras, com nossas teimosias, com nossas manhas e manias esquisitas, não tem jeito: nascemos um para o outro.

 

E agora? Bom, agora é tempo de render graças ao Deus que nos uniu, ao Deus que tornou possível essa equação quase impensável de dois servos que caminhavam para caminhos opostos, mas que hoje seguem o mesmo rumo. Agradecer por todas as Suas providências que nos fizeram sobreviver a cada problema e por todas as surpresas que colocou nos nossos dias. É tempo de realizar o sonho mais lindo que Deus sonhou...

 

Mas também é tempo de comemorar, de abraçar o máximo de amigos possível para acumular o tantão de amor e alegria que cada um trouxe para esta noite e de comer apenas um pouco de bolo para não irmos ainda mais gordos para as piscinas naturais de Porto de Galinhas. E o que nos resta? Agradecer por você fazer parte desta história, que assim como o Livro dos Prazeres, também não tem final..."

 

P.S. A gente queria ter contado esta história no dia da festa, mas o texto impresso ficou (em duas vias!) esquecido no bolso do paletó do noivo - e a gente só lembrou quando estava arrumando as coisas para sair em lua-de-mel. Para não perder a inspiração... é pra isso que serve um blog!

5 coisas que aprendi em menos de 20 dias

1) Definitivamente, os melhores amigos da mulher moderna e sem grana para bancar uma secretária do lar são: a máquina de lavar, o micro-ondas e o aspirador de pó. E, claro, um excelente diarista com DNA perfeccionista. Dá até para se sentir uma super dona de casa!

 

2) Depois de casar, você vai se tornar em alguém muito mais parecido com sua mãe do que você gostaria. E vai se ver fazendo todas as coisas que achava uma bobagem quando ainda morava com ela.

 

3) Morar em apartamento dá trabalho, sim, senhor.

 

4) Mais importante do que mais um jogo de servir sobremesa, daqueles que “vão durar a vida toda”, é um bom varal de roupas desmontável e que, montado, caiba na varanda. Por isso, meus próximos presentes de casamento serão tão práticos quanto sem graça. E esperarei os noivos agradecerem efusivamente um mês depois da festa.

 

5) A maior alegria de uma pessoa recém casada é chegar em casa. Na sua casa.

Nosso lindo balão azul

Vocês lembram do padre que morreu, como diz minha espirituosa irmã, de balões de ar?  Pois é, isso aconteceu há um ano em Santa Catarina e provocou uma onda de perplexidade e piadas em todo o Brasil.

 

Agora um outro velhinho deve chamar a atenção do mundo por sair voando por aí com seus balões. Só que dessa vez, a história deve ter um final feliz, já que trata-se do longa de animação UP, que será exibido hoje na abertura oficial do Festival de Cannes e conta a história de Carl, um velhinho de 78 anos que perde a mulher e decide voar para a América do Sul amarrando milhares de bexigas coloridas em sua casa.

 

Eu fiquei encantada com a história e com as imagens divulgadas do filme, que não sei se já tem data para estrear no Brasil (meninos da Cultura, alguma informação?). Mas se vem com a assinatura de quem também fez Monstros S.A. e Wall-E (minhas duas animações preferidas entre os modernetes), acho que vale a pena esperar.

Multimídia

Dizem que jornalista tem que entender de tudo um pouco. Inclusive de fazer uma boa pesquisa antes de escrever sobre determinda coisa, o que nos faz parecer ainda mais inteligentes e cultos - a maioria apenas se esforça. É por essas e por outras que a gente acaba conseguindo conversar relativamente bem, passando um mínimo de vergonha possível, com quase qualquer pessoa no mundo - de Bill Gates ao Dalai Lama. Alguns/mas coleguinhas, no entanto, se saem bem melhor nesta brincadeira. Mas isto aqui já é uma safadeza.

Vai para o Guiness

A barra de vestido de noiva mais fotografada da história.

25 de abril

 

25 de abril de 2009. Um dia de sol perfeito. 16h40, a chuva cai. Lá dentro do salão, não me abalo. Havia uma alegria tão tranquila dentro de mim que nem isso me tirou do prumo. Só me atrasou. 15 minutos. Na porta da igreja, vejo um céu azul acinzentado que nem de longe me pareceu triste. Foi o fim de tarde chuvoso mais lindo que já vi na vida.

 

E às 17h30, braços dados com o homem mais nervoso da igreja, ao ouvir a doce voz de Maria Juliana, entrei com o pé direito no lindo templo de São Pedro e São Paulo – o santo da chuva e o santo comunicador da boa nova (isso sim é ironia, Alanis Morissete!). Lotada de tantas carinhas queridas, não vi ninguém. Meus olhos seguiam em ângulo reto na direção do altar: era o rapaz de gravata prateada que eles procuravam, com um olhar de felicidade totalmente novo.

 

Diante do abraço apaixonado de meu pai, me desejando felicidade ao me entregar a (até então) futuro marido, percebi que caminhei a vida toda para viver aquilo. Tudo mais era pretérito mais que perfeito. “Antes de você chegar, era tudo saudade...” – ah, a voz de Maria Juliana...

 

E o depois? Cada palavra do meu agora ainda mais querido Padre Ivônio caiu com perfeição num coração que parecia já ter estourado a cota de felicidade de um ano em apenas cinco minutos. Cada detalhe do ritual, cada olhar que nos lançava, me fazia ter certeza: eu estava sendo abundantemente abençoada.

 

Foi perfeito. Tão lindo, mas tão lindo que até meus sonhos se surpreenderam. Uma benção completa, uma cerimônia em que eu senti com plenitude a presença de Deus realmente nos tornando um. E uma emoção que de tão indescritível, parece às vezes que foi apenas um sonho. De repente, no meio do dia, me dou conta: “não é que foi verdade?”

 

Ao restrito grupo de amigos que estiveram lá, não tenho palavras para descrever, mas tento: obrigada!

Aos queridos que não estavam lá, mas torceram e ficaram felizes com nossa alegria: obrigada!

A Deus, que desviou tão radicalmente meu caminho para que ele se encontrasse com o de Michel: minha vida. Só com ela posso retribuir o que recebi naquele fim de tarde chuvoso que transformou minha história.

 

P.S. Na foto, o presente da Shamar: Rita e Manu, vocês ajudaram a tornar esta noite inesquecível. Obrigada ainda é pouco, muito pouco. Mesmo assim, obrigada.

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